“Advogado do Diabo”?

Abril 23, 2009 - Leave a Response

Não, não estou fazendo nenhuma referência ao filme do final da década de 90 estrelado por Al Pacino e Keanu Reeves. A expressão refere-se ao nobre ofício instaurado pela Igreja Apostólica Católica Romana em 1587, e que acabou sendo abolido em 1983 pelo Papa João Paulo II.

O Advogado do Diabo era o personagem principal na beatificação e canonização da Igreja na época. Beatificação é quando o Papa declara alguém beato, e canonização é quando o Papa declara que um beato é Santo. Para que tal nomeação pudesse entrar em vigor, era realizado um longo e complexo processo, para conferir se o candidato detinha as determinadas qualidades para tornar-se beato, e posteriormente Santo.

Esse processo era composto por um “Procurador da Fé” que exaltava as virtudes do candidato, e por um advogado nomeado pela própria Igreja, o “Advogado do Diabo”, que fazia exatamente o contrario, investigava ceticamente para tentar encontrar lacunas no perfil,  e nos supostos milagres do candidato.

Não era fácil se tonar um Santo. Devido a eficiência dos “Advogados do Diabo”, em quase dois séculos houveram apenas 98 canonizações. Enquanto, após a abolição do ofício houve um aumento para 500 canonizações e 1300 beatificações.

Atualmente o termo corresponde a uma pessoa que discute a favor de um ponto de vista, sem necessariamente acreditar nele, mas que o faz simplesmente apresentar um argumento, e ser utilizado para testar a qualidade do argumento identificar erros na sua estrutura. Advogados adoram fazer isso em reuniões.